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Artista combina paixão entre cerâmica e vida marinha para criar esculturas

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Artista combina paixão entre cerâmica e vida marinha para criar esculturas

Baleias-jubartes são as campeãs em vendas, mas repertório criativo se estende para raias, tubarões e golfinhos. Arte ajuda pessoas a se conectarem com temas importantes, diz ela. Primeira peça produzida pela artista Raquel Salles Raquel Salles Natural de Taubaté (SP), a artista visual Raquel Salles une a paixão pela natureza com o talento da arte em cerâmica. Inspirada pela mãe e pela tia, ela se dedica a conectar as pessoas com o ecossistema marinho por meio de esculturas autorais. Raquel estuda arte desde os 14 anos de idade. Primeira a trilhar o caminho artístico profissionalmente na família, encontrou apoio na mãe, que desenhava, pintava e esculpia em isopor quando trabalhou com decoração de festas infantis nos anos 90. Baleia-jubarte com filhote em processo de secagem Raquel Salles Na adolescência, começou a ter contato com museus e grandes nomes da arte através de uma tia já falecida. “Ela morava em São Paulo, então sempre que eu ia passar férias na casa dela, ela levava eu e meus irmãos para museus e teatros. Ela admirava e consumia muito esse tipo de arte”, lembra Raquel. A artista iniciou os estudos em um ateliê, aprendendo técnicas básicas de desenho. Depois foi aprovada em uma escola municipal de artes na cidade de Taubaté, onde se aprofundou também em pintura, modelagem, escultura e gravura. Foi minha porta de entrada no universo da arte, fui percebendo que eu queria isso para a minha vida. Me formei em Artes Visuais em 2011. Na graduação, me apaixonei por aquarela botânica, amava desenhar árvores, flores e sementes, por isso ingressei também no curso de biologia. Eu nunca quis trocar de área, a arte é onde eu realmente me encontro, mas queria aprender mais. Infelizmente a biologia estava chocando com o meu foco principal e eu tive que parar A ideia de começar a produzir arte cerâmica a partir do ecossistema marinho surgiu por acaso, em 2022, durante uma lua de mel para a Bahia, quando teve a oportunidade de conhecer o Arquipélago de Abrolhos, lugar considerado o berço das baleias jubartes. “Eu e meu marido estávamos andando por Caravelas, cidade onde saem os passeios para avistar baleias em Abrolhos, em busca de uma baleia em escultura para levarmos de recordação para casa, mas nós não encontramos. E eu pensei ‘não é possível, eu preciso de uma’”. Durante lua de mel, Raquel e o marido tiveram a oportunidade de avistar baleias em Abrolhos e foi a partir daí que a artista começou a produzir arte em cerâmica inspirada na vida marinha Raquel Salles Foi em Abrolhos que nasceu a vontade de modelar baleias. Raquel produziu sua própria baleia para lembrar do encontro mágico que teve na região, postou a foto nas redes sociais e se surpreendeu com a quantidade de pessoas interessadas em comprá-la. A peça ficou exposta em uma galeria e foi vendida antes do término do evento e, a partir daí, Raquel percebeu que podia trabalhar profissionalmente com isso. As esculturas de jubartes são as mais vendidas, mas a artista produz também raias, tubarões e golfinhos. “Eu vejo na arte uma possibilidade enorme de conhecimento, de entender sobre a anatomia das espécies, os comportamentos. Cada peça é uma oportunidade de aprofundar e descobrir. É isso que me encanta e motiva”, diz. As jubartes são as número 1 em vendas, mas a artista produz também raias, tubarões e golfinhos Raquel Salles Processo de criação A artista conta que surge muitas vezes a inspiração surge de imagens ou vídeos que a impressionaram e as usa como ponto de partida para o próprio desenho. “Após desenvolver a ideia no papel, passo para a modelagem, considerando o tempo necessário para que a argila seque adequadamente. Esse material exige paciência e um ritmo específico para evitar rachaduras ou interferências no resultado final", comenta Raquel. A primeira queima da argila é chamada de biscoito e acontece geralmente entre temperaturas de 900ºC e 1000 ºC. A etapa cria durabilidade, resistência e deixa a peça impermeável para que, na segunda queima, a cor fixe perfeitamente. Baleia de 90 cm em processo de primeira queima, etapa que tem a função de criar durabilidade, resistência e deixar a peça impermeável para que na segunda queima a cor fixe perfeitamente Raquel Salles Na segunda queima, chamada também de queima de esmalte, a temperatura chega a 1240 ºC. Esta fase requer um resfriamento mais lento para permitir que o esmalte se funda completamente à peça e dê cor definitiva à obra. Se utilizado um esmalte transparente, ele apenas realça a cor natural da argila. O vidrado resultante torna a peça impermeável e proporciona uma superfície lisa. Durante essa queima, podem ser utilizados esmaltes de alta temperatura (acima de 1200 °C), média (até 1200 °C) ou baixa (até 1100 °C), dependendo do efeito desejado. Raquel explica que prefere esmaltes cujos efeitos são orgânicos e imprevisíveis no forno. “Mesmo seguindo técnicas específicas de aplicação, deixo espaço para que o forno contribua com algo único e especial”. Baleia-jubarte em processo de esmaltação Raquel Salles O processo cerâmico é lento e requer tempo e paciência.“Quando alguém traz uma ideia para ser modelada, eu começo desenhando e discutindo tudo junto com a pessoa. O cliente faz parte do processo de criação, pode dar opinião e pedir ajustes, mesmo que seja alguém que nunca conheci pessoalmente”. Processo cerâmico é lento e requer tempo e paciência, pois a argila precisa estar no ponto certo para ser modelada e, depois de seca, não pode mais ser modificada Raquel Salles Ela explica que a argila precisa estar no ponto certo para ser modelada e, depois de seca, não pode mais ser modificada. “Esses processos são orgânicos e precisam seguir seu curso natural. É por isso que me identifico tanto com a cerâmica, ela vem literalmente da terra, e seus processos orgânicos ensinam sobre a importância de respeitar o tempo das coisas”, ressalta. Para ela, é importante o cliente se identifique com a peça e diz que não há nada mais gratificante do que ver como uma pessoa se conecta com o produto ao longo dos cerca de dois meses de trabalho. A obra mais desafiadora A maior e mais desafiadora das obras já feitas por Raquel foi uma baleia jubarte com mais de 90 cm. Sendo uma peça grande e pesada, foi necessário um planejamento de modelagem e secagem. Desenho da baleia-jubarte de cerca de 90 cm Raquel Salles “É um trabalho extremamente técnico e complexo, porque a argila precisa ter plasticidade, ela precisar estar úmida o suficiente para modelar, mas também não pode estar tão úmida, já que preciso que ela tenha resistência para não desmanchar” A peça não partiu de uma encomenda, mas sim de um desejo de se desafiar, de fazer a maior baleia que conseguisse. A baleia tinha um metro no começo do projeto, mas como a argila vai perdendo água, a peça foi diminuindo de tamanho. A artista Raquel Salles e a baleia "gigante", de 90 cm, maior e mais desafiadora obra já realizada, em exposição "Conheça seu mestre" Raquel Salles Arte e conscientização ambiental Para Raquel, a arte sempre foi um caminho de descoberta e autoconhecimento. “Quando alguém se identifica com uma obra de arte, é porque aquele tema já ecoa de alguma forma dentro dela. Eu vejo que a minha arte, que engloba o ecossistema marinho, tem um potencial enorme de conectar as pessoas com questões cruciais, como a preservação ambiental”, afirma. A artista Raquel Salles quer, através da arte, conectar as pessoas com questões cruciais, como a preservação ambiental Raquel Salles “Muitas vezes somos questionados sobre como ganhamos a vida com arte. Esse é um dos maiores desafios, mas felizmente, nos últimos anos, tenho percebido uma melhora significativa. As pessoas estão começando a entender que o valor da arte vai além do financeiro, sendo uma experiência enriquecedora tanto para quem a cria quanto para quem a aprecia”, diz a artista. Até o momento, Raquel tem produzido as peças no apartamento onde mora com o marido, mas está mudando o ateliê para um novo espaço que em breve estará pronto. Raquel já produziu ao todo 40 peças, sendo a maioria baleias-jubartes Raquel Salles Ela se diz animada para explorar novas espécies do mundo marinho na cerâmica, como cavalos-marinhos, polvos, peixes-lua e outros. “O oceano abriga uma imensa diversidade de espécies e habitats. Ainda há muito a descobrir, conhecer e criar dentro desse tema vasto. Afinal, o planeta tem mais água do que terra”, brinca. Raquel vê o futuro de sua arte se expandindo e também deseja contribuir de maneira significativa para a conservação. “Quero apoiar iniciativas e causas importantes para a preservação marinha”. Ela mantém também o desejo de um dia concluir o curso de biologia, que não terminou. O cliente faz parte de todo o processo de criação, podendo dar sugestões e pedir ajustes Raquel Salles VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

Publicada por: RBSYS

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