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Baleia rara começa a ser estudada na Nova Zelândia

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Baleia rara começa a ser estudada na Nova Zelândia

Pela primeira vez, um indivíduo completo de baleia-de-dentes-de-espada é analisado por pesquisadores. Cientistas estudam uma baleia-de-dentes-de-espada macho no Invermay Agricultural Centre, na Nova Zelândia AP Photo/Derek Morrison Quando pensamos que quase tudo no planeta já foi descoberto e identificado pela ciência, aparece um caso que coloca em xeque o conhecimento humano. Na Nova Zelândia, pesquisadores começaram em dezembro um estudo sobre a baleia-de-dentes-de-espada. Elas são um tipo de baleia bicuda da família Ziphiidae. O nome "espada" vem do formato da boca parecido com o de uma lâmina. Num primeiro momento elas até parecem grandes golfinhos. Agora, pela primeira vez, os especialistas têm a chance de dissecar um corpo completo. O animal foi congelado logo depois de ser capturado já morto numa praia da região de Taieri Mouth, na Ilha do Sul do país. Especialista em baleias inspeciona baleia-de-dentes-de-espada macho AP Photo/Derek Morrison Esse mamífero raro teve o primeiro registro em 1872 na ilha Pitt, na Nova Zelândia. Na ocasião ossos do cetáceo foram achados numa praia, mas não se sabiam mais detalhes do animal. Anos depois, em 1950 , outra ossada foi achada também na Oceania. Já em 1986, um fato inédito: ossos da baleia-de-dentes-de-espada foram encontrados na Ilha Robinson Crusoe, no Chile. O achado levou os especialistas a evidenciarem que o mamífero é endêmico do Pacífico Sul. Exames de DNA, realizados em 2002, provaram que esses três indivíduos eram da mesma espécie, distinta de outras espécies da família de baleias bicudas. Na ocasião, os pesquisadores não puderam confirmar se a baleia-de-dentes-de-espada estaria extinta. Em 2010, mais duas ossadas foram encontradas na Oceania, num primeiro momento foram confundidas como uma das trezes espécies comuns de baleias bicudas registradas na Nova Zelândia. Mas amostras de tecido desses indivíduos revelaram tratar dessa espécie enigmática. Em 2017, a última ossada foi achada no mesmo continente. Pesquisador inspeciona baleia antes de dissecação AP Photo/Derek Morrison Por que tão raras? A hipótese mais aceita é que elas se alimentem em áreas muito profundas do Pacífico. Esse é o oceano com as maiores fossas marinhas do planeta, algumas com mais de 10 km de profundidade. O retorno dessa da baleia-de-dente-de-espada à superfície é raro de acordo com os pesquisadores, o que dificulta a observação da espécie no mar. Além disso, o Pacífico é o maior dos oceanos em área. Anton van Helden é cientista marinho sênior da agência de conservação da Nova Zelândia há trinta e cinco anos. Ele é o responsável por dar o nome à espécie de baleia-de-dentes-de-espada para distinguí-la dos outros indivíduos da família de baleias bicudas. Em declaração à Associated Press , Van Helden que participou da dissecação da espécie pela primeira vez afirmou "eu não posso contar o quanto é extraordinário, para mim pessoalmente, inacreditável". Os Maori, povo originário da Nova Zelândia, vão acompanhar o processo de dissecação do animal AP Photo/Derek Morrison Os pesquisadores têm muitas perguntas a serem respondidas. Por exemplo, como é o formato do cérebro desses animais, como é o sistema digestivo deles - já que as baleias bicudas têm diferentes sistemas de estômago. Esse indivíduo é macho e mede cerca de cinco metros de comprimento. A professora de anatomia Joy Reindenberg, da Icahn Escola de Medicina Monte Sinai dos Estados Unidos, explicou à agência Associated Press que os pesquisadores não estão interessados em saber porque o animal morreu, mas sim como ele vivia. "Descobrindo como elas vivem, nós esperamos descobrir como podemos reproduzir essa condição para a vida humana. Porque há algumas doenças nesse meio-ambiente extremo e se essas baleias sobrevivem à essas doenças, então nós podemos desenvolver dispositivos de proteção para pessoas que vão viver em condições extremas no meio ambiente. Nós vamos aprender como a natureza resolve o problema", conclui Reindenberg. A dissecação para estudo e pesquisa vai levar mais tempo do que o usual. O motivo é que o processo está sendo acompanhado pelos Maori, povos originários da Nova Zelândia. Na cultura local, as baleias são consideradas tesouros preciosos e criaturas que devem ser tratadas com reverência. De acordo com a tribo local , as baleias são presentes de Tangaroa, a divindade do oceano. Ainda não há uma previsão para a conclusão completa do estudo. Na Idade Antiga, os oceanos eram considerados locais de muitos mistérios e com seres diferentes. O tempo provou que aquela geração não estava errada. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

Publicada por: RBSYS

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