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Em meio a crises com apagões e racha interno, entenda como funciona a Aneel

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Em meio a crises com apagões e racha interno, entenda como funciona a Aneel
Agência Nacional de Energia Elétrica é responsável, entre outras coisas, pela fiscalização das concessões de energia elétrica. Diretores da entidade estão envolvidos em disputa no momento em que a qualidade dos serviços dessas distribuidoras são questionados. Os apagões em São Paulo acenderam um alerta sobre a qualidade dos serviços das distribuidoras de energia. Isso levou o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, a pedir que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) abra um processo que pode cassar o contrato da Enel SP. Ao mesmo tempo, a Aneel, que é responsável pela fiscalização, passa por um racha interno, de raízes políticas. Ministro de Minas e Energia determina abertura de processo disciplinar contra a Enel A disputa foi evidenciada por episódios recentes, como a saída, em protesto, de dois diretores da agência durante o andamento de uma reunião da agência e, nesta semana, queixas públicas sobre declarações do diretor-geral. Entenda como funciona a Aneel: quais são as atribuições? quem são os diretores? entenda a disputa interna Quais são as atribuições da Aneel? Criada em 1997, a Aneel é responsável pela fiscalização das concessões de energia elétrica e pela regulamentação do setor. “O serviço de energia elétrica, por definição constitucional, é atribuído à União, que pode desempenhá-lo diretamente ou mediante alguma forma de delegação para o particular. Cabe à União, em princípio, disciplinar tudo que envolve essa relação com quem preste o serviço, caso ela não exerça isso diretamente”, explica o advogado André Edelstein. Segundo o especialista, a lei que criou a Aneel já define diversas atribuições e as delega à agência. A Aneel foi criada como uma autarquia, ligada ao Ministério de Minas e Energia, mas sem estar subordinada a ele. Dessa forma, a agência tem autonomia para tomar as suas decisões. “Uma vez que você tenha as competências definidas, não cabe uma interferência naquilo que foi delegado à Aneel”, afirmou Edelstein. A agência atua nos setores de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Ou seja: as usinas que geram energia; a rede de transmissão que a transporta pelo país; e as redes de distribuição — mais localizadas e que atendem ao consumidor final. São algumas atribuições da agência: implementar políticas públicas definidas pelo governo federal para a exploração dos serviços de energia elétrica; incentivar a competição no setor; sugerir mudanças legislativas para promover a modernização da regulação do setor; regular e fiscalizar os serviços de energia; fixar preços e critérios para uso dos fios; implementar preços e tarifas dos serviços, fazendo reajustes e revisões; autorizar a troca de controle das empresas; aplicar penalidades; recomendar a cassação de contratos, caso necessário. Quem são os diretores? A agência é composta pela diretoria, procuradoria-geral e superintendências. O órgão máximo de decisão da Aneel é a diretoria colegiada, composta por nomes indicados pelo governo federal e sabatinados pelo Senado. A diretoria colegiada da Aneel é composta por cinco diretores , que têm tempo de mandato definido, sem exceder cinco anos. Hoje, as vagas são ocupadas por: Sandoval Feitosa (diretor-geral), com mandato até agosto de 2027; Agnes Costa, dezembro de 2028; Fernando Mosna, agosto de 2026; Ricardo Tili, maio de 2025; Helvio Guerra, maio de 2024. Os processos são sorteados e distribuídos aos diretores, para que façam os seus relatórios e os encaminhem para deliberação nas reuniões da diretoria colegiada, depois da fase de instrução técnica. Nas reuniões, as decisões são por maioria simples. Contudo, é preciso que pelo menos três diretores façam parte das deliberações conjuntas. Entenda a disputa interna Na última terça-feira (2), reclamações dos diretores Helvio Guerra, Fernando Mosna e Ricardo Tili durante a reunião pública da diretoria da Aneel expuseram o racha interno na agência. Os diretores se queixaram de uma declaração do diretor-geral, Sandoval Feitosa, sobre o congelamento das tarifas de energia no Amapá. Para Feitosa, a decisão da diretoria traz insegurança jurídica e regulatória para o setor. O racha na diretoria da Aneel é protagonizado por Feitosa e Mosna. Os dois foram indicados por grupos políticos diferentes: Feitosa (diretor-geral) é ligado ao senador Ciro Nogueira (PP) Mosna (diretor) tem relação com o senador Marcos Rogério (PL), segundo apurou o g1. À reportagem, interlocutores do setor afirmam que a disputa tem origem na escolha para o cargo máximo da agência, em 2021. Na ocasião, os nomes de Feitosa e do ex-diretor Efraim Cruz eram ventilados para a vaga. Efraim integra o mesmo grupo político que indicou Mosna e o diretor Ricardo Tili, do senador Marcos Rogério. A diretora Agnes Costa é vista pelo setor como mais independente nas decisões do colegiado. Agnes foi indicada pelo ex-ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Já Helvio Guerra, que vinha equilibrando as decisões da Aneel, tomando um lado ou outro nas reuniões, tem se aproximado mais de Mosna e Tili. Esse cenário tem levado a decisões apertadas nos encontros semanais da diretoria da agência, com placares de 3x2. Representantes do setor elétrico também reclamam da falta de consenso e de como a disputa interna tem atrapalhado o andamento de processos importantes.

Publicada por: RBSYS

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