Ornitólogo explica como algumas espécies conseguem imitar a vocalização de outras. Comportamento pode ajudar na defesa territorial e na atração de parceiros. Espécie: encontro (Icterus pyrrhopterus).
Jonathan Ehlert / iNaturalist
Você já parou para pensar como algumas espécies de aves imitam o som umas das outras? Uma ave chamada encontro (Icterus pyrrhopterus) é uma delas.
Além de aprender a imitar a partir do emissor original, a ave consegue imitar indivíduos mais experientes da mesma espécie durante as imitações deles.
Segundo o ornitólogo Guilherme Brito, coordenador do Laboratório de Ornitologia e Bioacústica Cararinense da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), todas as aves emitem sons vocais a partir da siringe, um órgão localizado na traqueia, onde há musculatura, membranas e elementos esqueléticos modificados.
Dessa forma, o ar passa no sistema e vibra as membranas que são modificadas por músculos e elementos duros, permitindo a modulação.
No caso das aves que conseguem imitar o som de outras e de humanos, isso acontece por conta da maior complexidade desse órgão, o que acaba produzindo vocalizações mais sofisticadas.
A dieta do encontro (Icterus pyrrhopterus) é variável, a ave se alimenta de insetos, do néctar de flores, pétalas e frutos.
Victoria Herrera Chillar / iNaturalist
Existem registros de encontros imitando espécies como gavião-carijó (Rupornis magnirostris), anu-branco (Guira guira), anu-preto (Crotophaga ani), bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) e joão-de-barro (Furnariis rufus). Quando estão em cativeiro, podem imitar aves que estão presas no mesmo local, como papagaios e canários.
Gulherme Brito comenta que os motivos das imitações são pouco entendidos, mas existem algumas especulações para o comportamento.
O encontro pode imitar gaviões e espécies maiores como estratégia para afugentar competidores por recursos. Outra linha de pensamento esta ligada à seleção sexual, na qual machos mais aptos reprodutivamente conseguem incorporar mais cantos e assim conquistam mais fêmeas e territórios”, explica o pesquisador.
Apesar de conseguir imitar outras espécies, o encontro (Icterus pyrrhopterus) possui sua própria vocalização.
Marcos Felix / iNaturalist
Apesar disso, o encontro possui sua própria vocalização, um canto elaborado que utiliza para defesa de território, e chamados para alertar indivíduos do grupo.
Brito conta que é uma espécie de distribuição relativamente ampla, presente em praticamente todo o Brasil extra-amazônico e partes de países como Uruguai, Argentina, Paraguai e Bolívia. Habitam bordas de floresta, clareiras, savanas, áreas de pântanos e parques urbanos.
A dieta destes indivíduos inclui uma variedade de insetos, néctar de flores, pétalas e frutos. Podem ser encontrados em casais, grupos pequenos e bandos grandes, sempre na copa das árvores.
Outras espécies imitadoras
Outros exemplos de aves imitadoras são o papagaio-cinza-africano (Psittacus erithacus) e o papagaio-verdadeiro (Amazona aestiva), ambos que podem imitar a voz humana, além do mainá-da-montanha (Gracula religiosa) e o estorninho-malhado (Sturnus vulgaris).
Além do encontro, do papagaio-verdadeiro e do estorninho, no Brasil, ocorre também o gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea), um grande imitador de diversas espécies de aves, que faz uso das vocalizações no momento de defesa territorial e de atração de fêmeas.
Gaturamo-verdadeiro (Euphonia violacea).
Leonardo Casadei
Considerando a diversidade global das aves, espécies com capacidade de imitação, segundo Guilherme Brito, são raras na natureza.
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Publicada por: RBSYS