Participam do episódio o historiador e especialista em Segurança Pública Dudu Ribeiro, e Ana Paula Rosário, pesquisadora da rede de Observatórios de Segurança. Casos de violência policial estamparam o noticiário na Bahia e em outros estados do Brasil nesta semana. Ocorrências cometidas por quem deveria proteger e resguardar vidas chamam a atenção e acentuam o debate sobre a segurança pública.
Um vídeo mostra o momento em que Gabriel Santos Costa, de 17 anos, é morto a tiros por um policial militar de folga, no bairro de Ondina, em Salvador, na madrugada de domingo (1º). Na mesma ação, um jovem de 19 anos foi baleado e segue hospitalizado em estado grave nesta quinta-feira (5).
Meses antes, em 9 de julho, Welson Figueredo Macedo, de 28 anos, foi baleado por policiais, desarmado, a caminho de casa. Ele ainda usava a farda e o crachá do local em que trabalhava, uma terceirizada da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa). À época, a Polícia Militar disse que ele foi atingido em confronto com a PM, porém, imagens de câmeras de segurança contestam essa versão.
Nesta edição do podcast Eu Te Explico, o apresentador Fernando Sodake repercute casos recentes e dados em uma conversa com especialistas sobre a forma de atuação e a gestão das forças de segurança.
Participam do episódio o historiador, especialista em Segurança Pública e cofundador da Iniciativa Negra Dudu Ribeiro, e Ana Paula Rosário, pesquisadora da rede de Observatórios de Segurança responsável pelo levantamento Pele Alvo, que apontou que a Bahia registrou 1.702 mortes por ações policiais em 2023.
RELEMBRE
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Ana Paula Rosário é pesquisadora da rede de Observatórios de Segurança.
Natally Acioli/g1 BA
A pesquisadora Ana Paula Rosário destaca que as mortes em decorrência de ações policiais ocorrem na maioria das vezes em tiroteios. Os dados levantados pela Rede de Observatórios de Segurança identificaram que os territórios mais afetados por essas operações são os periféricos, trazendo como consequência a vulnerabilidade e a letalidade em massa da vida de jovens, sobretudo os negros.
Ela problematiza ainda o uso da letalidade como uma ferramenta de combate à violência, que se tem como resultado um alto número de mortes, levando a um ciclo.
"Quanto mais o Estado usa a violência para combater a violência, a violência cresce porque entende-se que a naturalidade é isso", ponderou Ana Paula.
O levantamento Pele Alvo apontou que pelo segundo ano consecutivo, o número de mortes por ações policiais registrado na Bahia foi maior que os índices registrados no Rio de Janeiro e São Paulo, dois dos três estados brasileiros com maiores populações.
A Rede de Observatório e Segurança monitora nove estados brasileiros: Amazonas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo. Entre esses estados, a Bahia foi o único a registrar número de óbitos maior que mil no ano passado.
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Ana Paula Rosário conversa com o apresentador Fernando Sodake.
Natally Acioli/g1 BA
Os casos de violência causada por agentes policiais são resultado de um modelo adotado na gestão de segurança pública baseado no equipamento de guerra. Essa é a avaliação de Dudu Ribeiro, que ainda pondera que o militarismo não é um formato de proteção da vida, mas um mecanismo para a eliminação do inimigo e proteção das fronteiras.
Tendo essa perspectiva em vista, o especialista destaca que existe um incentivo a uma lógica de guerra que reverbera na formação dos agentes e que tem relação direta com uma violência histórica, que é racial.
"A lógica do conflito tem se intensificado muito devido à própria opção do Estado por continuar investindo nessa lógica de guerra", analisou.
O especialista em Segurança Pública traz à tona ainda uma crítica ao entendimento consolidado dentro das forças policiais que relacionam letalidade à eficácia e eficiência. Fato que vai de encontro ao que deveria ser o papel das forças de segurança, cujo papel é de proteger vidas. Dentro desse contexto, ele defende a importância da necessidade de revisão da estrutura para evitar mais casos como os de Gabriel Santos e Welson Figueredo.
"Quem está policiando a polícia? Mas mais do que isso, a gente precisa que ela seja baseada na lógica da proteção da vida, então hoje o que nós vemos é, em inúmeros casos, as famílias que perdem filhos, parentes, vitimados pela violência de Estado", disse.
Dudu Ribeiro é historiador e especialista em Segurança Pública.
Natally Acioli/g1 BA
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Publicada por: RBSYS