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Motorista de Porsche dirigia em alta velocidade, tinha sinais de embriaguez, voz pastosa e estava cambaleando, dizem testemunhas

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Motorista de Porsche dirigia em alta velocidade, tinha sinais de embriaguez, voz pastosa e estava cambaleando, dizem testemunhas

Casal de namorados contou à polícia que estava num carro e viu automóvel de luxo ultrapassá-lo e acelerar até bater no veículo do motorista de aplicativo, Ornaldo Viana, que morreu. Condutor do Porsche, Fernando Filho, e amigo não prestaram socorro à vítima, segundo testemunhas. Motorista de Porsche que fugiu após matar motorista de app se apresenta à polícia Reprodução/TV Globo O empresário Fernando Sastre de Andrade Filho, motorista do Porsche Carrera de mais de R$ 1 milhão que, na madrugada do último domingo (31), matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, após bater no carro dele, dirigia em alta velocidade, tinha sinais de embriaguez, voz pastosa e estava cambaleando, segundo testemunhas ouvidas pela Polícia Civil. Clique aqui para se inscrever no canal do g1 SP no WhatsApp Um casal de namorados que viu o acidente prestou depoimento nesta terça-feira (2) no 30º Distrito Policial (DP), Tatuapé, e contou que trafegava num carro pela Avenida Salim Farah Maluf, na Zona Leste, quando o Porsche azul o ultrapassou e depois acelerou até bater na traseira do Renault Sandero branco. Por volta das 23h de 30 de março, um sábado, Fernando foi com seu Porsche azul 911 Carrera GTS, ano 2023, a uma casa de poker na Rua Marechal Barbacena, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo. Ele estava com um amigo, de 22 anos. Os dois deixaram o local depois das 2h do dia 31, quando o empresário acelerou e bateu na traseira do Renault Sandero EXP branco, ano 2017, que era dirigido por Ornaldo da Silva Viana. Câmeras de segurança gravaram a batida que ocorreu na Avenida Salim Farah Maluf, que tem limite de velocidade de 50 km/h (veja vídeo abaixo). As imagens mostram o Sandero passando, o motorista pisando no freio para reduzir a velocidade, e depois surge o Porsche. Em seguida ocorre a colisão traseira: o automóvel de luxo ainda ergue o carro do motorista de aplicativo, que bate num poste e é lançado na calçada. O Porsche também para depois. Ornaldo estava sozinho no carro. Ele chegou a ser socorrido com parada cardiorrespiratória e fraturas por uma ambulância dos Bombeiros, mas morreu ao chegar ao Hospital Municipal do Tatuapé. Tinha 52 anos. O amigo do motorista do carro de luxo foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital São Luiz do Tatuapé. As autoridades não informaram se ele ficou ferido. O jovem de 22 anos deverá ser ouvido pela investigação. A Polícia Militar (PM), que atendeu a ocorrência, informou que liberou Fernando do local do acidente após a mãe dele, Daniela Cristina de Medeiros Andrade, dizer aos policiais que levaria o filho para o Hospital São Luiz do Ibirapuera, na Zona Sul, porque o rapaz estaria com um ferimento na boca. Mas quando a PM foi depois ao hospital para tentar fazer o teste do bafômetro em Fernando, para saber se ele dirigia sob efeito de álcool, e ouvir sua versão para o acidente, não encontrou ele e nem a mulher. Por esse motivo, a Polícia Civil entendeu que ele fugiu. O 30º Distrito Policial (DP), Tatuapé, havia registrado o caso inicialmente como homicídio culposo (sem intenção de matar), lesão corporal e fuga do local do acidente. Fernando passou a ser procurado pelos policiais, mas acabou se apresentando na segunda-feira (1º), um dia após o acidente, na delegacia, onde acabou indiciado por homicídio por dolo eventual (quando se assume o risco de matar), lesão corporal e fuga. Um casal que estava em outro carro, um Hyundai HB20, contou à PM que o Porsche estava em alta velocidade, o ultrapassou, o motorista perdeu o controle e bateu no Sandero. O homem e a mulher serão ouvidos pela Polícia Civil. O 30º DP havia pedido à Justiça a prisão temporária do motorista do Porsche, mas a solicitação foi negada. A delegacia alegou que Fernando havia fugido do local do acidente, estava em alta velocidade e que precisaria ser preso porque a sociedade pedia sua prisão. Mas a Justiça negou o pedido argumentando que o motorista já havia se apresentado na delegacia e dado depoimento. E que "gravidade" e "clamor público" não podem justificar a decretação para prender alguém. Em seu interrogatório, Fernando negou que tenha bebido e afirmou que trafegava seu Porsche "um pouco acima do limite" de 50 km/h para a via quando ocorreu o acidente. Disse que "viu a luz de freio de um veículo à frente acender e ao tentar desviar", colidiu com ele. O empresário não soube dizer aos policiais, no entanto, qual era a velocidade em que estava: "porém, não chegava ser muito acima também". A Polícia Técnico-Científica vai analisar as imagens para determinar qual era a velocidade do Porsche no momento da batida com o Sandero. O laudo pericial do Instituto de Criminalística (IC) irá informar se o carro de luxo estava em velocidade acima do limite para o trecho. Fernando negou ainda que tenha fugido do local. Sua mãe, Daniela, a mãe de Fernando, também foi ouvida pela investigação. Ela confirmou que pediu autorização a PM para tirar o filho do local do acidente porque ele estava ferido e não havia ambulância para leváio A defesa dele, feita por um escritório particular de advocacia, divulgou nota à imprensa informando que seu cliente não bebeu e que o acidente foi uma "fatalidade". é sócio de uma construtora e estudou engenharia numa universidade particular em São Paulo. Vídeo mostra momento da batida de Porsche em carro de motorista de aplicativo LEIA MAIS: 'Gravidade' e 'clamor público' não podem justificar pedido de prisão, diz juíza que manteve motorista de Porsche solto em SP Motorista de Porsche que matou condutor de Sandero e fugiu é indiciado por homicídio doloso; Justiça não aceita pedido de prisão 'Sentimento de injustiça gigantesco', diz filho de motorista por aplicativo morto após Sandero ser atingido por Porsche em SP Fernando tem seu nome citado no quadro de sócios de uma das empresas da sua família, a incorporadora Sastre Empreendimentos Imobiliários. Ele também aparece como único sócio da FF Andrade Serviços Administrativos. Há cinco anos, Fernando foi aprovado em uma universidade privada da capital paulista, o Mackenzie, onde cursou engenharia civil por algum tempo. Segundo a instituição de ensino, ele não está matriculado lá desde 2021. Motorista de Porsche que matou motorista de aplicativo se apresenta à polícia Motorista de Porsche que matou condutor de Sandero e fugiu se apresenta em delegacia de SP Câmera de segurança gravou momento que Renault Sandero branco é atingido na traseira por Porsche Carrera azul em São Paulo Reprodução/Redes sociais Fernando Sastre Filho responderá pela morte de Ornaldo Viana Reprodução/Redes sociais O empresário também negou a versão da PM de que tenha fugido do local do acidente com a sua mãe. Disse que foi o "último a sair do local com sua mãe" e que seu amigo e Ornaldo já tinham "sido socorridos". O colega foi levado para o Hospital São Luiz do Tatuapé. Não há confirmação se ele teve alta médica. O rapaz também será ouvido na investigação. Ainda segundo Fernando, pelo fato de "sentir muitas dores", os policiais militares autorizaram a mãe dele a levá-lo a um hospital para ser atendido. O motorista ainda alegou que não foi para uma unidade hospitalar porque sua mãe passou a receber "ameaças pelo celular", sem dizer quais foram elas. Depoimento da mãe Durante interrogatório, Daniela Cristina contou que, ao chegar ao local do acidente, perguntou a um policial se poderia socorrer o filho até um hospital. O agente teria concordado, enquanto outro PM pediu para aguardar, pois precisavam pegar a versão de Fernando sobre os fatos. Então, a mãe do motorista da Porsche informou todos os dados deles, inclusive o número de celular. Em seguida, segundo o depoimento de Daniela, foram autorizados a deixar o local. Entretanto, diferentemente do que foi informado, eles não foram para o Hospital São Luiz. Como a residência do empresário é próxima ao local do acidente, eles foram para lá. Em razão do estresse, Daniela disse que tomou um medicamento e acabou dormindo com o filho. A mulher acordou somente por volta das 9h30, quando percebeu diversas mensagens ameaçadoras nas redes sociais e no WhatsApp sobre o filho. Por isso ela desistiu de ir ao hospital, de acordo com o seu relato. Investigação da PM Justiça nega prisão de motorista que dirigia carro de luxo e foi indiciado por 3 crimes Os policiais militares que atenderam a ocorrência contaram na delegacia que a mãe avisou que levaria Fernando ao Hospital São Luiz no Ibirapuera, na Zona Sul, porque o filho estaria ferido na boca. Mas quando os agentes foram ao local para ouvir a versão do motorista do Porsche e fazer o teste do bafômetro, para saber se ele dirigia sob efeito de bebida alcóolica, não o encontraram. A mulher que o levou também não estava no local. Diante disso, a Polícia Civil considerou que Fernando fugiu. A Polícia Militar informou ainda que irá apurar se os policiais militares erraram ao permitir que Fernando deixasse o local do acidente com a sua mãe para ir supostamente a um hospital, o que não ocorreu. A Ouvidoria da Polícia pediu para a Corregedoria da PM apurar o caso e também quer saber se os agentes usavam câmeras corporais para pedir as imagens. Policiais civis ouvidos pela reportagem disseram que os policiais militares demoraram quase cinco horas para comunicar o acidente com morte na delegacia. Segundo os agentes da Polícia Civil, os PMs deveriam ter feito o teste do bafômetro no local, em vez de procurar o motorista num hospital para fazer isso. "Um sentimento de injustiça gigantesco dentro de mim", escreveu nesta segunda em seu Instagram, Luam Silva, filho de Ornaldo. Foto postada por Luam Silva (à direita) o mostra ao lado do pai, Ornaldo Viana (à esquerda). Filho pediu 'justiça' para o caso do motorista de aplicativo morto após ter o carro atingido pelo Porsche dirigido por Fernando Sastre de Andrade Filho Reprodução/Instagram Ornaldo foi velado e sepultado na tarde desta segunda no Cemitério Bonsucesso, em Guarulhos, Grande São Paulo. Traseira do Renault branco ficou destruída após ser atingida pelo Porsche azul Rômulo D'Ávila/TV Globo LEIA MAIS: Motorista de Porsche diz que saía de casa de poker, dirigia 'um pouco acima do limite' de 50 km/h e bateu em carro de aplicativo Vídeo mostra batida de Porsche em Sandero em SP; motorista de aplicativo morreu e condutor do carro de luxo fugiu O que se sabe sobre caso de motorista de Porsche que bateu em Sandero na Zona Leste de SP, matou condutor e fugiu Motorista de Porsche de mais de R$ 1 milhão bate em Renault, mata condutor e foge após acidente em avenida de SP

Publicada por: RBSYS

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