Wilson Pollara foi levado para o Ciams Novo Horizonte, em Goiânia. Defesa entrou com um novo pedido de habeas corpus. Wilson Pollara deixa presídio e é levado para hospital com dores no peito
Wilson Pollara, ex-secretário de Saúde de Goiânia que está preso temporariamente por suspeita de corrupção na secretaria, precisou ser levado a um Centro Integrado de Atenção Médico Sanitária (Ciams) da capital após sentir dores fortes no peito, neste domingo (1º) (assista acima). A informação foi confirmada ao g1 pela Diretoria-Geral de Polícia Penal (DGPP) e pela defesa de Pollara.
“Alegou sentir dor no peito e foi ao hospital realizar exame”, explicou a DGPP.
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Um video mostra quando socorristas do Samu levam o ex-secretário para dentro da ambulância. Pollara, de roupas brancas e chinelo, estava deitado em uma maca. O advogado de Pollara, Thiago Peres, explicou que o cliente deixou a Casa do Albergado e foi levado para o Ciams Novo Horizonte, onde deve passar por exames.
A Casa do Albergado é destinada para cumprimento de pena privativa de liberdade. Portanto, a unidade abriga presos que cumprem pena em regime aberto, ou seja, pessoas que foram presas por crimes cometidos sem violência.
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Questionada sobre o atendimento prestado ao ex-secretário, a Secretaria de Saúde de Goiânia disse que o quadro clínico de pacientes atendidos na rede só é informado aos pacientes e pessoas autorizadas.
Wilson Pollara é levado de ambulância da Casa do Albergado até Cais, em Goiânia
Arquivo pessoal
O advogado de Pollara diz que desde a última sexta-feira (29) aguarda a apreciação do pedido de substituição da prisão temporária do ex-secretário pela prisão domiciliar, "em razão do agravamento do estado de saúde do médico". Como ainda não houve decisão a respeito, um novo habeas corpus com pedido em liminar foi impetrado neste domingo (1º).
"A manutenção da prisão temporária pode colocar a vida do meu cliente em risco, por tratar-se de um idoso de 75 anos com diversas comorbidades, que já foi submetido à angioplastia com stents e que, no último dia 4 de novembro, chegou a necessitar de atendimento médico de urgência, pois teve um desmaio em decorrência de seus problemas cardíacos", afirmou Peres.
Segundo a defesa, um laudo médico foi apresentado ao Ministério Público de Goiás informando sobre as "condições precárias" de saúde de Pollara. O ex-secretário, de acordo com o advogado, tem doença arterial coronariana e, neste domingo, apresentou quadro de arritmias cardíacas e hipertensão arterial, dificuldade de locomoção em razão de problemas musculares, além de outras complicações decorrentes do tratamento de dois cânceres.
Prisão
Na última quarta-feira (27), uma operação do Ministério Público de Goiás prendeu Pollara, o secretário executivo da Saúde de Goiânia, Quesede Ayres, e o diretor de finanças Bruno Vianna. Os três são suspeitos de associação criminosa, pagamentos irregulares em contratos e recebimento de propina.
A investigação começou em maio para apurar atrasos nos repasses para a fundação que administra três maternidades da prefeitura. A dívida passa dos R$ 121 milhões.
"Com o acúmulo da dívida, percebemos que havia algo e há algo de muito complexo por trás dessa situação. Gerou aí a necessidade da investigação criminal", destacou Marlene Nunes, promotora de Justiça ao Jornal Nacional.
De acordo com a investigação, Pollara escolhia quem iria receber. "Identificamos também pagamentos feitos de maneira irregular, podemos dizer clandestinamente, fora dos cofres dos caixas oficiais, sem a devida declaração na contabilidade pública", afirmou Rafael Correa Costa, coordenador do GAE Patrimônio Público, ao Jornal Nacional.
Secretário de Saúde de Goiânia é preso em operação por pagamentos irregulares
A defesa do médico Wilson Pollara entrou com um pedido de habeas corpus, argumentando que ele não representa risco algum à investigação. Mas o ex-secretário e os outros dois investigados continuam presos até sexta-feira (6) - Leia nota completa ao final do texto.
A Prefeitura de Goiânia, por meio de nota, informou que "está colaborando plenamente com as investigações conduzidas pelo Ministério Público de Goiás" - Leia nota completa ao final do texto.
A defesa de Quesede Henrique informou que ainda não teve acesso e, por isso, "não pode emitir considerações detalhadas sobre as alegações que embasam a medida judicial" - Leia nota completa ao final do texto. O g1 não localizou a defesa de Bruno Vianna até a última atualização desta reportagem.
Defesa Wilson Pollara
A defesa de Wilson Pollara lamenta a decisão de manutenção da prisão temporária de seu cliente, após a realização da audiência de custódia na tarde desta quinta-feira (28), e aguarda a apreciação por parte do Tribunal de Justiça de Goiás da liminar em habeas corpus impetrada, confiante de que ela será concedida.
Conforme o entendimento da defesa, a prisão de Pollara é desnecessária e já cumpriu sua finalidade. Já houve a apreensão de aparelhos celulares e de eventuais documentos na residência e nos locais públicos onde o investigado prestava serviço.
Além disso, as medidas cautelares fixadas juntamente com o decreto de prisão mostram-se mais do que suficientes para garantir o procedimento de investigação criminal do Ministério Público de Goiás (MP-GO) – suspensão do exercício das funções públicas, proibição de entrada em prédios relacionados à prestação de serviços de saúde e restrição de contato com testemunhas ou outros investigados.
A decisão vai de encontro à Ação Direta de Inconstitucionalidade 3360 e 4109 do STF, que estabelece que a prisão temporária deve ser decretada apenas em casos em que há a impossibilidade de aplicação de medidas cautelares.
Por fim, é necessário frisar que Wilson Pollara é um médico renomado, de conduta ilibada, e que em momento algum demonstrou qualquer intenção de obstruir as investigações. Como secretário, todas as vezes em que foi intimado, compareceu ao Ministério Público para prestar os devidos esclarecimentos. Trata-se, ainda de um idoso de 75 anos, que acumula diversas comorbidades de saúde, cuja prisão coloca em xeque a questão da dignidade da pessoa humana.
Thiago M. Peres
Wilson Pollara, Bruno Vianna Primo e Quesede Ayres Henrique, secretário, diretor financeiro e secretário executivo da pasta em Goiás
Divulgação/Prefeitura de Goiânia, Redes Sociais e Carlos Costa
Defesa de Quesede Ayres Henrique
Em relação aos fatos noticiados na data de hoje, a defesa informa que ainda não teve acesso à íntegra do processo e, por essa razão, não pode emitir considerações detalhadas sobre as alegações que embasam a medida judicial.
No entanto, reforçamos que o cliente está à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários às autoridades, visando à plena elucidação dos fatos.
A defesa mantém total confiança na demonstração de sua inocência e reitera o compromisso com o respeito ao devido processo legal e à ampla defesa.”
Márcio M. Cunha Advogado
Nota da Prefeitura de Goiânia
A Prefeitura de Goiânia informa que está colaborando plenamente com as investigações conduzidas pelo Ministério Público de Goiás (MPGO) no âmbito da Operação Comorbidade.
A gestão municipal reitera seu compromisso com a transparência e com a lisura na administração pública, colocando-se à disposição para fornecer todas as informações e documentos necessários ao esclarecimento dos fatos.
A Prefeitura reforça que tomará todas medidas administrativas cabíveis, conforme o desdobramento das apurações.
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Momento em que ambulância do Samu chega para buscar ex-secretário, Wilson Pollara, em Goiânia
Arquivo pessoal
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Publicada por: RBSYS